Capítulo 2
Kitty Smith
Ainda me conseguia lembrar do primeiro jantar que tinha tido com Samuel, há um ano atrás. Ele tinha sido muito simpático, eu tinha ficado a adorá-lo. A minha mãe merece alguém à altura dela, e ele estava lá, sem dúvida. Sempre falou bem da filha dele, por isso não estava mesmo à espera do que encontrei. Ela era mesmo bonita, como ele tinha descrito: uns centímetros mais alta que eu, o cabelo castanho ondulado (parecido ao meu) que ia até um bocadinho depois dos ombros, olhos castanho-azulados. Qualquer rapaz devia gostar dela no seu estado normal, porque aquela maquilhagem preta definitivamente não a favorecia. Cheirava-se a km de distância que ela era “rebelde”, e que não estava mesmo nada satisfeita com a situação. Eu que não costumo odiar ninguém, consegui odiá-la logo. Impressionante, sem dúvida. Mas isso nem é o pior: o pior é o facto de ela futuramente ir ser a minha nova companheira de casa.
- Kitty, querida, posso? – perguntou a minha mãe, abrindo a porta do meu quarto.
- Claro. – respondi, deixando por momentos o meu computador.
- Sobre o jantar de ontem… Fica sabendo que a Mia não é assim no seu estado natural. – disse ela, enquanto se sentava na minha cama.
- Ai não?
- Não. Quando a conheci, o ano passado, ela foi mais simpática.
- Sabes, ela não grita simpatia quando a vemos.
- Eu sei que ela não foi agradável, mas tens de perceber que ela não teve tempo de assimilar a notícia.
- Eu percebo mãe, podes ficar descansada. – tranquilizei-a.
Ela olhou para mim com a dúvida no rosto, e eu sorri, numa tentativa de tornar a minha frase mais verdadeira. Pareceu resultar.
- Ainda bem, querida. É bom saber que vais fazer um esforço.
Pois claro. No que depender de mim, aquela miúda nunca se vai sentir em casa.
- Fica descansada. – repeti.
- O Justin está lá em baixo. Acho que te veio buscar para o jogo.
- Sim, diz-lhe sff que eu vou já.
- Está bem.
A minha mãe deixou o meu quarto. Sempre soube que, apesar de termos dinheiro, nunca lhe foi fácil ser mãe solteira. Sempre fez tudo por mim, e eu estou mesmo agradecida. Adoro a nossa herdade, e gosto muito da minha vida. Não a imagino de outra forma: tenho a mãe perfeita, o melhor amigo perfeito, o namorado perfeito…
O Justin! Tinha-me esquecido completamente dele e do jogo. Fui buscar um casaco e desci as escadas. O meu namorado estava lá à minha espera, com o sorriso de sempre na cara. Sorri-lhe também.
- Desculpa a demora. – desculpei-me.
- Não há crise. – respondeu ele, beijando-me.
- Ainda bem. Mas é melhor não demorarmos mais. Sabes, é melhor não nos atrasarmos para o jogo do Tyler, não é?
- Sim, é melhor. – concordou Justin. – Embora eu tenha sempre pena de não os poder ajudar.
- A tua oportunidade passou há dois anos…
Ele riu-se. O Justin tem 20 anos, por isso já anda na faculdade da Califórnia (em San Diego), a estudar medicina. Andou na mesma escola que eu, e foi lá que nos conhecemos.
- Eu sei, eu sei. Hoje é o último jogo, até tu vais querer jogar. – disse ele, confiante.
- Não me parece… Sabes bem que baseball não é o meu género. – constatei.
- Pois não, definitivamente. – concordou ele.
Abriu-me a porta do carro dele, e eu entrei. Sentou-se no lugar do condutor e começou a conduzir. Fomos a ouvir música, e de cada vez que ele abria a boca eu tapava os ouvidos.
- Meu amor, por favor não rebentes os meus tímpanos. – pedi, tentando não o “magoar”.
- Desculpa lá se nem toda a gente canta como tu.
- O que é que queres dizer?
- Kitty, tu tens uma excelente voz, sabes bem.
- Ok, obrigado pelo elogio. E sim, tens razão, nem toda a gente canta como eu. Por isso, por favor, não cantes, porque és um dos infelizes.
- Infelizes… - repetiu ele, como que a desvalorizar a palavra.
Assim que chegámos dirigimo-nos para o estádio de baseball. Apesar de faltar mais ou menos meia hora para o jogo começar, este já estava cheio. Conseguimos arranjar dois lugares (bem localizados) e sentámo-nos.
- Impressionante o que esta gente toda vê no baseball. Pessoalmente, não acho nada de especial. – comentei.
- Kitty, qualquer bom americano gosta de baseball.
- Dizes bem, americano, não americana.
- Até as americanas. – disse o Justin, enquanto se ria.
- Hoje estás cheio de piada! – disse, ironicamente.
Os minutos foram passando, e quando dei por mim o jogo já tinha começado. Tyler é um excelente catcher, e essencial à equipa, por isso é sempre o primeiro a jogar, mas é também o último.
- Yes! – gritou Justin, mesmo ao meu ouvido. Pulei com o susto.
- O que é? – perguntei, sobressaltada.
- O Tyler fez um home run! – disse ele, entusiasmado.
- Ok… - disse, ignorando o facto de não perceber nada daquilo.
- Não sabes o que é um home run, pois não? – perguntou ele.
- Nem por isso…
- Kitty, namoramos há 5 meses. Já vimos milhões de jogos juntos. Nunca aprendeste nada?
- Não.
Ele riu-se, mas continuou a ver o jogo. Eu, como o esperado, não percebi nada de nada. No fim, quando fomos ter com o Tyler, os dois rapazes começaram a falar sobre bases, e coisas do género. Assim, optei simplesmente por ignorá-los. É bem mais fácil.
- Agora o chato é termos de ir estudar para os exames. – disse Tyler, lamentando-se.
- Meu, agora é a festa! Vocês ganharam o campeonato, isso é fantástico. – constatou Justin. – Não é Kitty?
- Sim, sim. – respondi automaticamente, ao ouvir o meu nome.
- Esquece, mais vale mantê-la fora de conversas destas. – informou Tyler. – Conheço-a desde que ela era mini, e nunca percebeu nada relacionado com desporto. Claro, a dança é uma excepção, e das grandes.
- Parem de falar de mim. – pedi.
Os dois riram-se e continuaram com aquelas conversas… Estranhas.
As pessoas da escola estavam todas na festa de vitória da equipa de baseball. Este é o desporto que mais gente gosta, e o que tem mais sucesso entre os alunos.
- Oi Tyler! Grande home run! – felicitou alguém. – Olá Kitty.
- Olá. – cumprimentei, sem saber bem quem.
- De onde é que conheces aquele rapaz? – interrogou Justin.
- Não faço a mínima ideia. – respondi. Ele sorriu, e eu derreti-me toda. – Tens de parar com isso.
- Com o quê?
- Com isso de sorrires de cada vez que olho para ti.
- Ai sim? Porquê? Quando te vejo fico contente.
- Desde quando é que és tão lamechas? – perguntei, na brincadeira.
- Desde que te conheci.
- A sério? Ao inicio ninguém diria.
- Isso é porque eu pensava que eras uma barbie sem neurónios. Obviamente estava totalmente errado.
- Pode ser que a minha nova “irmãzinha” te dê ouvidos. Não que eu sequer me interesse em dar-me bem com ela. É mesmo parva.
- A tua nova “irmãzinha”?
- Yup. O namorado da minha mãe vem viver connosco, e a Mia vem atrás. Mia… Que raio de nome.
- Sem ofensa, mas é tal e qual Kitty.
- Se vires, até faz sentido. – intrometeu-se Tyler. – A Kitty é uma gata, que mia.
- Ah, ah, que piada. – disse, ironicamente. – És mesmo parvo Tyler.
- É por isso que tu gostas tanto de mim? – perguntou ele, de forma convencida.
- Também. – concordei, beijando-lhe a cara.
- O que é que se pode fazer? Eu sou um máximo.
- Convencido.
- Outra qualidade que aprecias em mim.
- Nem por isso.
- Não sejas mentirosa, Kit.
- Não estou a ser, Ty.
- Meninos, parem com isso.
- Desculpa se não chegamos ao nível dos da faculdade, Justin.
- Pois, isso seria um problema. Ou para o ano não estás a pensar ir para a faculdade, Tyler?
- Estou, por acaso estou futuro Sr. Dr.
- Só Dr. Não sou esquisito. – brincou Justin.
- Isso é ser esquisito, porque estás a restringir…
- Parem já com isso! Parecem crianças. Olha Tyler, está ali a Sarah…
- Fogo, aquela miúda é uma chata. Não tinha olhos na cara, eu.
- Vocês só acabaram há uma semana!
- Exactamente. Felizmente já caí em mim.
Uma rapariga loira oxigenada, de saltos altos que se enterravam na lama (como os meus…) aproximava-se de nós. Era Sarah, a ex-namorada de Tyler. Eles tinham namorado 2 meses, e esta ainda não se conformava com o fim do namoro, por isso perseguia, literalmente, Tyler.
- Tyler! Jogaste tão bem! – gritou, ao longe.
- Vou fugir. – preveniu Tyler, antes de desaparecer na multidão. Sarah apareceu logo a seguir.
- Olá Kitty, olá Justin. O Tyler? Ainda agora o vi aqui.
- Deve ser impressão tua. – menti. – Ainda não estivemos com ele desde que o jogo acabou.
- Bem, se o vires diz que eu estou à procura dele.
- Ok. – concordei, obviamente sem intenção de cumprir o acordado.
- Bem, obrigada. Adeus.
- Adeus.
Assim que ela se afastou, olhei para Justin. Os dois partimo-nos a rir. Ele pegou-me na mão e arrastou-me para um sítio quase vazio. Sentámo-nos num banco.
- Não queres explicar aquilo de eu ao início parecer uma “barbie sem neurónios”? – perguntei, repetindo a expressão dele.
- Prometes não levar a mal?
- Prometo. – prometi.
- Digamos que tu tens um óptimo sentido de moda, vestes-te bem e isso tudo, mas à primeira vez pareces uma daquelas miudinhas fúteis, que só pensam em compras, e sonham com centros comerciais, e esse género de coisas.
- Ok, essa foi forte. – disse, dramaticamente.
- Tu prometeste…
- Eu sei, e não levei a mal. Mas achas que devia mudar a minha roupa?
- Não, nada disso. Ouve, é só uma aparência. Importante é o que existe dentro de ti, e nisso ninguém te bate.
- Desde quando é que és tão…
- Tão?
- Tão romântico? Poético? Filosófico?
- Acho que todos os médicos têm essa veia. – disse ele, piscando-me o olho. Sorri e, sem eu estar à espera, ele beijou-me com paixão.
- Amo-te Kitty.
- Óptimo, assim estamos quites, porque eu também te amo.
''A Kitty é uma gata, que mia. ''
ResponderEliminarAhah, adorei!
cade o terceiro!?
loool!!! Cade??? ahah vou publicar agr so p ti!!!
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